- Me conta uma mentira?
- Conto
- Diz que me ama
- Eu te amo
segunda-feira, 3 de maio de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Soneto da vívida esperança
O sêmem perdido é o abraço do frio
Busca por alguém que preencha um vazio
Ou que ocupe um espaço
Sobretudo que seu sexo seja gostoso e vasto
Memórias fundem-se com imagens de agora
Películas daquilo que deveria ser uma foda
Minimizados ao gosto da verdadeira iguaria
Sal do corpo, ilustre orgia
O que por tudo aflora
Tem gozo atrás e fora da porta
Profundo eu em partilha
Na libido em potencial acredita
Todo ser pode se satisfazer com quem fica
Basta dar-se com vida
Busca por alguém que preencha um vazio
Ou que ocupe um espaço
Sobretudo que seu sexo seja gostoso e vasto
Memórias fundem-se com imagens de agora
Películas daquilo que deveria ser uma foda
Minimizados ao gosto da verdadeira iguaria
Sal do corpo, ilustre orgia
O que por tudo aflora
Tem gozo atrás e fora da porta
Profundo eu em partilha
Na libido em potencial acredita
Todo ser pode se satisfazer com quem fica
Basta dar-se com vida
terça-feira, 23 de março de 2010
O herói destinava-se a rasgar o céu com sua espada de aço, ergueu-a e alinhou seu rosto para diagonal de si. Mira fixa, caminhou no sentido afora leito. A água era tão espada para si quanto o braço para a espada. Córrego perene, mesmo sem pernas de herói, mesmo sem céu, que pesava o andar, mas garantia o refresco.O herói suspendia suas pernas com destreza e alívio e pressão e calor e alívio e pressão e calor. Ao fim do primeiro ciclo, primeiro passo já se encontrava cansado. Revigorou forças, olhou novamente aquela imensidão e prosseguiu adiante. Segunda pisada acreditou que o fluxo entre seus braços e suas pernas era desproporcional. A espada não lhe corroia as forças como o atravessar o córrego. O córrego era tão mais suave que o metal, suas extensões aliviavam os calos do herói a toda vez que penetravam e saiam em retaguarda pelas botas do herói.
Sem tirar os olhos do céu ele caminhava. Olhos para a diagonal, seu caminho fazia algo. Uma bela silueta nas águas. Uma bela silueta no vento. A do vento ia à frente, demarcada pelo aço da espada, a do córrego um pouco a frente do que viria atrás. Mas apenas nas águas se tinha a possibilidade de fazer várias. A linha no vento não se aperceberia, bastava que se olhasse para baixo para desenhar diferente a da água.
Mais próximo estava do céu. Isso ele enxergava. Subia algo, mesmo desgastado. O maior sintoma foi quando percebeu a água do córrego nos seus pés. Já não estavam nem na canela. Poderia dirigir-se para qualquer lugar agora. Tinha a idéia do que foi para ter sido, para ter chegado. Seu braço quinqüagenário ainda em riste, já não sentia a curva do ar em movimento. Ouvia-se apenas um ruído como da força do ar passando por um cano oco. Um cano oco em diagonal para a imensidão do azul-cordefinida.
Valeria a pena o próximo passo além córrego? É que havia azul demais na vista do herói. Queria o prata de sua espada, essa seria a cor do céu quando o afligisse com o aço firme. Todo prata deposto o todo azul.
Flexionou os joelhos para o grande salto. Contraiu-se mais, nada que chegaria a um feto. E mais, e quando seria hora? Foi jogado afora leito. Sem pernas, sua espada fincou em algo firme, seria o céu? O leito ainda estava azul-corindefinida.
Só se ouvia o som do vento entrando por dois canos como se fossem pernas. Passando por um tronco, como se fosse o tronco. Regressando de um cano, como se tapado por aço de espada. Saindo de algo como um pescoço. Decrépita madeira se desfez em pedaços.
Sem tirar os olhos do céu ele caminhava. Olhos para a diagonal, seu caminho fazia algo. Uma bela silueta nas águas. Uma bela silueta no vento. A do vento ia à frente, demarcada pelo aço da espada, a do córrego um pouco a frente do que viria atrás. Mas apenas nas águas se tinha a possibilidade de fazer várias. A linha no vento não se aperceberia, bastava que se olhasse para baixo para desenhar diferente a da água.
Mais próximo estava do céu. Isso ele enxergava. Subia algo, mesmo desgastado. O maior sintoma foi quando percebeu a água do córrego nos seus pés. Já não estavam nem na canela. Poderia dirigir-se para qualquer lugar agora. Tinha a idéia do que foi para ter sido, para ter chegado. Seu braço quinqüagenário ainda em riste, já não sentia a curva do ar em movimento. Ouvia-se apenas um ruído como da força do ar passando por um cano oco. Um cano oco em diagonal para a imensidão do azul-cordefinida.
Valeria a pena o próximo passo além córrego? É que havia azul demais na vista do herói. Queria o prata de sua espada, essa seria a cor do céu quando o afligisse com o aço firme. Todo prata deposto o todo azul.
Flexionou os joelhos para o grande salto. Contraiu-se mais, nada que chegaria a um feto. E mais, e quando seria hora? Foi jogado afora leito. Sem pernas, sua espada fincou em algo firme, seria o céu? O leito ainda estava azul-corindefinida.
Só se ouvia o som do vento entrando por dois canos como se fossem pernas. Passando por um tronco, como se fosse o tronco. Regressando de um cano, como se tapado por aço de espada. Saindo de algo como um pescoço. Decrépita madeira se desfez em pedaços.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Gota a Gota
As pedrinhas jogadas no balde fazem a água transbordar e cair na terra seca. A semente já foi jogada. Logo nascerá. Os frutos podres fazem o ar ficar mal cheiroso e afasta tudo que há de bom no entorno do balde. Os urubus rondam o ambiente, atraídos pelo odor. Os galhos fétidos da maldita erva trepam no balde e lhe escondem a luz e o calor do sol. Esfriam a água. Pequenas gotas de chuvas temporárias tentam manter o nível da água. Mas logo novas pedras são jogadas e a erva ganha nova força e novos frutos. Os espinhos duros e enferrujados espetam sem dó. Pequenos furos começam a se desenhar na superfície do balde. A ferrugem deixa o recipiente doente. Novas chuvas até tentam alimentar a erva buscando manter a vida do pobre balde. Em vão. Volta a trabalhar jardineiro. Pega a tua enchada e teu rastelo. Arranca a erva. Tira as pedras de dentro do balde. Deixa as núvens de inverno encherem o balde. Deixa o sol do verão aquecer a água. Deixa as coisas boas voltarem pra perto do balde. Mas se nada disso tiveres coragem de fazer... tira o balde do teu jardim. Não deixa ele se despedaçar. Prefira a saudade aos meros vestígios.
Ted Sampaio
Ted Sampaio
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