quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Arame Farpado

Cruzou os braços por detrás das costas dele. Cheirou seu pescoço e, mais uma vez, terminou com um beijo, rápido, apenas com lábios. Assim como se beija uma irmã.

- Então esse momento finalmente chegou. Nós sabíamos que chegaria. O que? Isso que está acontecendo... você é esperto, apenas finge que não sabe. Acho que todo mundo sempre sabe, a diferença é que algumas conseguem, tentam interferir. Então é isso. Depois de algumas semanas é o fim. A partir de amanhã, quando me ver na rua, não precisa mais sorrir. A partir de amanhã, quando for me cumprimentar, não olhe nos meus olhos, mas também, não vire a cara para mim. Te ligarei uma ou duas vezes no mês. Não vou gastar mais de três minutos. “Tudo bem com você?”, não será a minha pergunta. Não perceberás o tom sofrível de quem se guardou duas quinzenas para fazer-te uma pergunta sincera. Saber como está a sua mãe... se precisas que eu te indique algum livro... qualquer coisa que não demonstre o quanto você estará em tudo. Não pense no meu esforço, ou no meu sentimento. Não lembre das noites de amor, de sexo, jogue tudo fora, faça da memória como um cigarro.

Virou os olhos sem saber se algo faltava

- Não pense, nem cogite no que eu não lhe disse. Quantas vezes não te pedir pra ficar. Acredite, não há desculpas válidas para eu não ter dito que tudo ia muito além do sexo. O que eu precisava de você, não sabia se poderias me dar. E não podia te pedir.

Corpos quentes como se preparando para o momento do último encontro. Os corações gritavam. Ele tinha algo a dizer, mas não faria. Precisava ser lido, depois, fosse o que fosse. Se, o outro, corria os olhos sobre as linhas do seu corpo, e lhe dissesse o que seus ouvidos já cochichavam... finalmente ficaria grafado: amo-te.

2 comentários:

Cleriton Pandini disse...

Gostei, Diogo. Muito bom.

Leon K. Nunes disse...

Há formas diversas de expressar-se, ou de não se expressar e ainda assim buscar o entendimento do outro..